Antes de fundar a Flow junto com a Michelle, eu, Flávia, tinha uma produtora de eventos de cervejas artesanais. Era um negócio criativo, colaborativo, muito baseado em experiência e troca. E foi ali, bem antes de qualquer agência existir, que tive um dos primeiros contatos conscientes com algo que, anos depois, se tornaria parte da cultura da Flow.
Um dos meus sócios naquela época sempre me chamava atenção pela forma como conduzia nossos processos criativos. Ele tinha uma facilidade enorme de organizar ideias, traduzir conceitos e comunicar mensagens de forma simples e extremamente didática, mesmo quando o projeto ainda estava completamente no campo das ideias.
Em um desses brainstormings, enquanto pensávamos no desenvolvimento de um novo projeto ou produto, ele nos apresentou uma palestra do Simon Sinek no TEDx. Era a primeira vez que eu tinha contato direto com a metodologia do Golden Circle.
Naquele momento, não foi apenas mais uma referência.Foi um incômodo bom. Daqueles que fazem a gente parar e pensar.
Quando algo “acende”, mesmo sem a gente entender totalmente
Começamos a fazer alguns exercícios baseados no Golden Circle. Nada muito estruturado, nada acadêmico. Eram conversas, reflexões, tentativas de aplicar aquela lógica ao que estávamos construindo.
E algo despertou.
Eu percebi que, até então, nunca tinha parado de verdade para olhar para o que eu estava fazendo sob essa ótica. Eu fazia, criava, executava, resolvia. Mas raramente voltava ao ponto inicial:
por que isso existe?
por que isso precisa ser feito?
por que isso importa?
Não foi um entendimento imediato. Foi um processo. Mas, aos poucos, aquela lógica começou a fazer muito sentido, não só para projetos, mas para decisões, posicionamentos e até escolhas pessoais.
A Flow nasceu a partir desse olhar
Quando a Flow foi pensada, ela já nasceu carregando esse aprendizado, mesmo que de forma intuitiva no começo. Nunca foi só sobre abrir uma agência para executar demandas. Sempre houve uma inquietação maior: criar algo com intenção, com propósito e com clareza.
Com o tempo, o Golden Circle deixou de ser apenas uma referência e passou a ser:
- uma ferramenta de brainstorming,
- um ponto de partida para estratégias,
- e, principalmente, parte da cultura que levamos para o time.
Não como um método engessado, mas como uma pergunta constante. Muitas vezes, antes de falar de estética, mídia ou formato, a conversa começava com:
Por que essa marca existe?
Por que ela precisa ser relevante para alguém?
E isso mudou completamente a forma como passamos a construir posicionamentos.
Por que começar pelo “Por quê” importa mais do que nunca
Simon Sinek nos lembra que marcas e líderes memoráveis começam pelo “Por que fazemos o que fazemos”.Na prática, o que vemos no mercado é o oposto: a maioria das marcas começa pelo “o que fazemos” ou, no máximo, pelo “como fazemos”.
Na Flow, aprendemos ao longo dos anos que começar pelo propósito não é um discurso bonito, é uma decisão estratégica.
Marcas que começam pelo “Por quê”:
- constroem narrativas mais verdadeiras,
- se comunicam com mais coerência,
- criam conexões emocionais reais,
- e se diferenciam sem precisar forçar uma personalidade.
Quando o propósito está claro, a marca deixa de correr atrás de tendência o tempo todo. Ela passa a ter direção.
O “Por quê” como ferramenta de posicionamento
Em muitos projetos que atendemos, usamos o Golden Circle como ponto de partida para destravar ideias. Não para encontrar respostas prontas, mas para organizar o pensamento.
O “Por quê” ajuda a filtrar:
- o que faz sentido comunicar,
- o que não representa a marca,
- o que é ruído,
- e o que realmente constrói autoridade.
É ele que sustenta a voz da marca no longo prazo.
Sem isso, a comunicação até acontece, mas não permanece.
Conexão não nasce do óbvio
Em um mercado cada vez mais saturado, onde tudo parece parecido, o “mais do mesmo” se tornou confortável para muitas marcas. Mas o conforto raramente gera conexão.
O “Por quê” obriga a marca a sair do automático. Ele exige verdade, escolha e, muitas vezes, coragem. E é exatamente por isso que funciona.
Marcas que sabem por que existem não precisam explicar demais. Elas se tornam reconhecíveis pelo discurso, pelas decisões e pelas entregas.
Clareza antes da comunicação
O Golden Circle não é sobre fórmula. É sobre consciência.
É sobre entender que, antes de comunicar para fora, a marca precisa estar clara por dentro. E isso vale para negócios, projetos, produtos e para pessoas também.
Na Flow, seguimos acreditando que boas marcas não começam pela estética, nem pelo post, nem pelo anúncio. Elas começam por uma pergunta simples, mas profunda:
Por que isso existe?
Responder isso muda tudo!
Colunista
Flávia Souza
Sócia-fundadora da Flow Agência Digital, estrategista de marca e comunicação. Atua há mais de uma década na construção de posicionamento, narrativa e autoridade para marcas que buscam conexão real e coerência no longo prazo.